Mãe... você tem se mostrado com tanta doçura em seu olhar me velando em momentos que eu deveria velar por você; ainda me lembro menino naquela casinha tosca no pé daquela colina, onde os “pássaros pretos” cantavam anunciando a alvorada de um novo dia e você mãezinha, já estava diante daquela mina d’água a lavar nossas roupas zelando pelo nosso conforto ainda tão medieval, eu me levantava descalço e lá da soleira da porta eu te gritava pedindo um pedacinho de pão que você mesmo fazia naquele forno de barro no fundo de nossa casinha, com toda atenção de um a santa você me trazia a canequinha de café com um a fatia deliciosa de pão e enquanto eu fazia meu desjejum, você continuava na lida com aquele sol que te queimava e eu podia ver o suor escorrer em sua face já cansada, mas porém linda como uma flor que desabrocha nas manhãs de primavera. Hoje eu te vejo velhinha com dificuldade para caminhar, me lembro por quantas vezes você me amparou em seus braços quando eu caía, ou simplesmente sentia alguma pequena indisposição e hoje eu te vejo frágil e me falta tempo para que eu possa te amparar em meus braços, sei que te sentes só e por quantas vezes você me ninou para dormir em noites que o medo me fazia frágil, e agora mãe... não te dedico muito do meu tempo para que tu não fiques sozinha perdida em pensamentos que a saudade ainda te guarda na mente dos momentos de gloria de tua juventude; talvez um dia na minha velhice eu venha sentir a mesma solidão que tu sentes e nesse momento, onde tu estiver, tenho certeza que estará me envolvendo em seus braços espiritual para que eu não me sinta tão só como tu sentes hoje mesmo estando ao lado dos seus filhos; mãe... te amo tanto! Poeta Violeiro
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