Como pode um homem ser ingrato se na vida sempre batalhou para não deixar nada faltar à família, como pode ser ingrato se por muitas vezes deixou de almoçar e jantar em suas viagens para economizar o dinheiro para não faltar o leite das crianças; por quantas vezes esse homem viu a lua sair e entrar sem pelo menos cochilar um pouquinho para adiantar sua viagem para que no final pudesse receber o premio oferecido pela empresa para cumprir horário de entrega que sempre foi apertado para o caminhoneiro. Poderia ser ingrato esse homem, que sempre deixou seu ordenado na mão da esposa, para que ela sim fizesse o que bem entendia com o dinheiro? Foram vinte anos dentro de uma boleia de caminhão enfrentando frio e calor, chuva e sol e por muitas vezes esse homem chorou de saudade dos filhos amados e da esposa e quando pensava que poderia voltar pra casa o destino lhe levava pra mais longe ainda e a viagem se estendia por vários longos dias; tudo isso pra nada, tudo isso para no final ser chamado de ingrato. Durante todos os anos de vida conjugal esse homem enfrentou todos os obstáculos e humilhações poupando a reputação de sua esposa e filhos. Como pode ser ingrato esse homem que jogou tudo apostando que poderia vencer na vida de empresário, começando do nada somente com uma pequena barraquinha de caldo de cana e pastel? Como pode ser ingrato esse homem se no ano de 1991 chegou nessa cidade sem nada na vida e hoje pode dar uma vida boa a família ao ponto de sair duas a três vezes na semana para jantar fora? Como pode ser ingrato esse homem que não teve medo de dívidas e começou tudo na raça no ano de 1999 e hoje acumular um pequeno patrimônio que inclui; um restaurante, dois carros, uma casa e duas motocicletas? Não! Isso não é ser ingrato; isso ser um lutador; isso é ser um vencedor! Poeta Violeiro
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