quarta-feira, 3 de março de 2010

Ébrio de amor

Cálice vazio em uma mesa de bar, ao lado um violão abandonado, bitucas de cigarros, um cheiro de perfume vulgar; a meia luz se vê o boêmio que adormecido quase cai da cadeira; todas as cadeiras se encontram em cima das mesas, somente o boêmio ocupa seu lugar. Enquanto lava os cristais um garçom compadece do amigo ébrio, seus últimos trocados foi gasto ao lado de mulheres da vida que ganham para levar carinho a um coração sofrido e estraçalhado de amor; enquanto todos bebiam e cantavam aquele boêmio se mostrava alegre, mas seu coração sangrava a dor da despedida, despedida de um alguém que lhe trocou por luxo e riqueza. Pobre boêmio. Por muitos anos de sua vida ele dedicou amor e carinho a essa mulher, por varias noites ele dobrou as madrugadas levando alegria no palco aos corações apaixonados que ouviam o seu cantar; de nada valeu. Enquanto ele trabalhava, ela o traía em seu próprio leito de amor. Hoje só resta a mesa, o cálice vazio, o velho violão que ao dedilhar do artista expõem as suas magoas! P Violeiro

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