sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Boiadas e peões

Boiadas, peões, estradas que levam, poeira vermelha tinge o céu do sertão enquanto esses peões caminham calados, pensando, talvez seus pensamentos vagueiem em terras distantes lembrando aquela donzela que acenava um lenço na janela da choupana pequena à beira da estrada; boiada em passo lento, assim como os burrões caminham também, de vez enquanto um toque do berrante alerta perigo adiante enquanto a tropa caminha, do bolso do jibão tira um cachimbo empoeirado, tabaco e isqueiro que faz levantar fumaça ao léu, na baldrana macia o suor exala cheiro de terra molhada, na bruaca uma garrafa de cachaça, um gole pra afogar as magoas que corroi o peito desses peões. Enquanto a saudade aperta o peito, aquela morena trigueira que ao longe chora de saudade daquele peão de mãos grossas, palavras rudes, cresceu nas estradas tocando boiadas em cima de burros nesses sertões, enquanto a tropa de passos lentos anda, faz lembrar numa frase, “Que os brutos também amam”! Poeta Violeiro.

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