domingo, 28 de fevereiro de 2010
Paineira Velha
Eu encontrei a paineira velha abandonada do meu sertão, foi derrubada há muito tempo pra tirar dela um caixão. E o ranchinho já carcomido de cipó seco se enlutou, foi testemunha da esperança e a paineira é a lembrança daquele amor que a tempo findou. Na sua sombra paineira velha já foi pousada de boiadeiro, de vossos galhos tem a cruzinha que está fincada no terreiro. As suas folhas também secaram pra muito longe o vento levou, e apesar de estar derrubada e sua casca tão ressecada, aquele adeus ainda ficou. O meu destino paineira velha e justamente igual ao seu, sofremos juntos tantas saudades, fiquei no mundo e você morreu. Hoje não tenho mais alegria, tenho no peito uma grande dor, o nosso drama foi revelado, choro cantando nosso passado até o dia que eu também for. (Autor: Zé Fortuna) Poeta Violeiro.
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