quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

No lombo do burro baio

Eu parti em uma viagem pra matar uma saudade que meu peito corroia, tinha de correr o risco de encontrá-la em outros braços esse amor que eu sofria; arriei meu burro baio ligeiro e marchador atravessei o rio grande deixando poeira pra trás, atravessei vales e montes, terras brancas e vermelhas serradão dos ananás; na terra de Tiradentes meu burrão ia contente picando os passos no chão, já amanhecia o dia quando avistei na colina uma casa no espigão. Eu tinha quase certeza que era ali que se encontrava aquele amor que se foi; de longe reconheci aquela mulher faceira que buscava na biquinha água fria na chaleira; meu coração batia forte quase saia do peito, meu pingo apertava o passo e eu em pé nas estribeiras tentando chegar mais rápido para rever o meu amor, cheguei bem pertinho dela rolando do meu burrão, abracei ela apertado ao peito sentido seu coração; amor eu vim te buscar, não consigo viver sem ti, ela me deu um sorriso, eu no meu burrão subi, coloquei ela na garupa e pra São Paulo eu segui! Poeta Violeiro

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