terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Nas asas de um beija-flor
Manhã fria um homem caminhava triste por uma estrada, levava no coração um amor que se foi; caminhava, caminhava com pensamentos mil, no rosto a saudade, o sentimento cruel das noites mal dormidas naquela cama vazia, no peito doía a magoa do amor que se foi. A serração insistia em cobrir seu rosto e ele, secava as gotículas com a mão trêmula enquanto colhia uma flor a beira do caminho; sorria, chorava, não sabia o que fazer quando um beija-flor ousado voava, exibindo sua majestosa acrobacia; ah beija-flor, se tu soubesse a dor desse homem, colocaria ele em sua asas e voaria, voaria sem rumo tomar, levava ele pra bem longe pousando em planície florida, ao lado de uma sombra amiga acalentando esse coração. Ah beija-flor amigo, deixe que seu cantar alegre essa criatura, que chora, que murmura a dor de uma partida, cicatriz que corroi, essa dor que perdura, talvez no silêncio na noite, no claro da lua, ele reerga e continua a ser o poeta de rua, levando aos ébrios e boêmios a sua poesia desnuda!
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