Deixei a cidade voltei onde nasci, fui ver a fazenda, o rancho, a moenda e o velho galpão; cheguei de mansinho olhando pros lados, o angico encorpado me olhou do espigão. Entrei no cercado da velha casinha bem rente a soleira ainda tinha uma roseira que me deu um arranhão, a velha roseira puxava a orelha do filho fujão; entrei na saleta e fui pra cozinha no canto ainda tinha um velho fogão, restos de lenha, carvão e uma trempe que resistia o tempo e a corrosão; olhei na parede, fiquei paralisado, por ver um rosto traçado que há tempos passados eu fiz de carvão, o tempo e chuva molharam o reboque e fez o retoque com tal perfeição, me vi eu criança envolto na manta, no colo da Santa seguro em suas mãos, seus ainda radiantes de brilho, segurando o filho e dando a benção.
Com os olhos marejados de lágrimas olhei para ela, pintada na tela da minha ilusão, mãezinha querida, meu grande tesouro, você é de ouro e não de carvão, no mundo onde ando, de longas estradas eu nunca serei nada sem sua proteção!
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
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