terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Sonhando com vida passada
Um domingo à tarde remoído de cansaço pôs a rede na varada e balançando adormeci, talvez puxado pelo laço da saudade sonhei deixando a cidade e chegando onde eu nasci; entrei nas margens maquiada de poeira de uma boiadeira eu enxerguei o por do sol, eu fui pisando pela relva verdejante, senti como se pisasse em um verde lençol. Eu vi o gado remoendo na invernada, ouvi o pio na palhada do inhambu chororó, vi as abelhas revoando num enxame, entre a cerca de arame vi a nascente da mina, lavei o rosto e bebi água com a mão agradecendo a perfeição da natureza; vi meu cavalo relinchar na estrebaria e nos guardado que um dia deixei no galpão, eu vi laço o berrante e guaiaca, protegida pela capa pendurado no esteio. Eu vi mamãe na varanda e papai com sua viola, nesse momento eu acordei tão tristonho, me revi vendo meu sonho e chorei a noite inteira, tudo que vi sei que jamais verei, por que ao perder meu pai para tudo disse adeus, mais eu lamento meu sentimento profundo, por que tudo nesse mundo é por vontade de Deus!
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